terça-feira, 16 de abril de 2019

Senso e censura

Eu aqui, de saco cheio,
calculando a regressão...
A censura (ô termo feio!)
é cagaço de cagão!

Mais que o podre do recheio
e o mal cheiro da expressão,
a suspeita, mesmo ao meio,
encabeça a discussão.

Se na base da mordaça
o sujeito escolhe agir,
só se pensa em mais trapaça!

Este é meu entendimento,
e você há de convir
que o fedor nomeia o vento.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Razão de arrogância

O título desta crônica pode parecer estranho, mas há razão para tudo, qualquer coisa.
Nenhuma manifestação de arrogância é arrazoada, pois a soberba é conduta típica de quem não tem o juízo no lugar, de quem não percebe que o mundo é plural, de quem não enxerga os outros e suas razões.
Os outros podem estar errados em muitas situações, mas nós também podemos estar errados em outras tantas. E é a consciência de que somos todos humanos e, portanto, todos falíveis e iguais em essência, que nos permite ser razoáveis ao fugir da arrogância.
Mas, ao que me parece, não é isto que se vê quando se analisa o grupo que conduz ideologicamente o “novo” governo. Os influenciadores ideológicos. Os que defendem as estranhas bandeiras que contestam, por exemplo, o heliocentrismo, a física quântica e, agora também, a história nacional e mundial.
Não sei que relação estas bandeiras possam ter com as propostas de “reformas” que alguns aguerridos arrogantes têm se batido em defesa. Mas desconfio que haja alguma ligação, sutil, mas real.
Por exemplo, a deformação da previdência social que o ministro da economia tanto se esforça em impor. Parece-me que a negação dos princípios da solidariedade e do mutualismo, mundialmente adotados em sistemas previdenciários, tem alguma ligação não muito bem visível com a negação da história nacional, no ponto relativo ao período da ditadura (que outro nome usar?), de 1964 a 1985.
Naquele tempo, não havia debates no congresso ou na sociedade. As decisões eram tomadas e implantadas na força da caneta (ou do canhão que ela simbolizava). Passava-se por cima das questões nacionais como um tanque de guerra passa por cima de qualquer coisa em seu caminho.
E as recentes cenas da sabatina perante a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara me deram a impressão de que o ministro se sente como se fosse um tanque de guerra. Assim: ele teve uma ideia e segue como se não houvesse outras possibilidades de se abordar o tema da previdência social, como se qualquer abordagem diferente fosse apenas um obstáculo a ser vencido por suas poderosas esteiras.
Num ato falho, ao perguntar se os deputados tinham medo de alterar as regras propostas para os militares, não sei bem se ele deixou transparecer o seu próprio medo, já que ele não enfrentou os militares quando do envio da proposta, ou se quis dizer que também os militares são apenas um pequeno e desprezível obstáculo.
A arrogância com que o ministro se comporta é, como toda arrogância, desarrazoada. Falta-lhe razão.
E falta razão, a ele e aos que com ele conduzem o plano ideológico em marcha, ao pretenderem destruir com uma canetada todas as garantias sociais duramente conquistadas por nosso povo ao longo do tempo. Isso é a negação da história, do trabalho, dos valores construídos por todos nós. Afinal, estávamos todos errados? Será que temos que ser todos internados? Só estes poucos (ainda bem!) “iluminados” é que estão certos?
Este ministro é um estereótipo do chefete que muitos já tivemos que enfrentar, aquele cara que precisa manter a fama de mau, que bate na mesa e diz: “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.
Pois não é justamente por não ter razão que os autoritários precisam da força?
E é óbvio que há uma razão para eles serem assim. Mas isso é coisa para um psicanalista. Eu fico por aqui.

quinta-feira, 14 de março de 2019

domingo, 10 de março de 2019

Ânus e reformas

O que cada um faz com seu ânus não é problema meu. Aprendi com meu pai que ânus é que nem radinho de pilha, cada um tem o seu e põe na estação que gosta. E, se o tempo do radinho de pilha passou, o ensinamento ficou. Por isso, cada um que cuide do seu substituto do radinho (o celular, claro!), tá ok?
Mas tem uma coisa que acho que é meu problema sim, pois é problema de todo mundo. Estou falando do que fizeram (mais uma vez!) com o nosso dinheiro. Lembra daquele rico dinheirinho público que foi utilizado para o chamado fundo eleitoral? Pois então, já está mais do que evidenciado que nosso dinheirinho foi surrupiado num esquemão de laranjas.
Isto sim me interessa!
Numa roda de amigos, este assunto veio à baila. Houve quem concluísse: enfiaram nosso dinheiro no ânus! A conclusão parecia ser unânime, até que o Juca, que está sempre na moita, resolveu falar e nos mostrou que estávamos errados, pois o dinheiro foi enfiado mesmo é nos bolsos (cuecas e meias também valem). O que foi enfiado nos ânus de alguns (ou muitos) políticos foi a dignidade eleitoral (claro, de quem ainda a tinha).
Mas há quem prefira cuidar do ânus alheio em vez de se preocupar com o que foi feito com o nosso dinheiro. E, embora esta posição possa indicar alguma relação entre a dignidade e a ocupação dada ao próprio ânus, não é este aspecto que me interessa, mas, sim, a evidente rede de cumplicidade entre os envolvidos no esquemão laranja, de vários partidos.
E é por isso que a principal reforma, a mais urgente de todas, precisa voltar a ser reclamada: a reforma política!
Uma reforma que ponha fim no círculo vicioso do atual sistema eleitoral que favorece a eleição e reeleição de uma grande maioria de corruptos, esses que há muito judiam dos nossos ânus (sim, com o meu eu me preocupo).
Pois a reforma que está merecendo todas as manchetes, além de mirar os mesmos ânus já arrombados pelo esquemão laranja e tantos outros, irá, na verdade, aumentar o caixa a ser esvaziado por essa já conhecida gula corrupta por dinheiro alheio.
Então, sem reforma política de verdade, os ânus que continuarão a ser estuprados não são outros não.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

domingo, 6 de janeiro de 2019

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Anulação

As aparências reclamam
          - uns almejam
          outros tramam -
     mas o fluxo na engrenagem
segue o rumo dos que mamam
     (na impureza dos laxantes
     a certeza que há no logro)

A plateia está domada
          outra vez
     a malandragem
aparece pra dizer
que é inútil ser
     você
e decide o voto
          a quem
          você nem sabe
     o que trama

E toda a trama se estende
anuncia o anunciado
e te pede uma vez
          mais
     (sem querer?)
cumplicidade
e te abate
          na rasteira
          na trapaça
          na ameaça

Até que você descobre
que tanto faz como fez
que o que vale é
     sem valor
que o seu mundo está distante
     o adversário é maior
     e você vai desarmado
          (ou desalmado?
          ou descalço?)
que esta via não te serve
e que a vigência é caduca

Mas o fluxo não dá trégua
     (consumado, consumido?)
e o sonho retorna
          urgente
enquanto você respira
     e se fosse diferente?
     e se não fosse obrigado?
     a propaganda abolida?
     e se não fosse comprado?
     e se a escolha fosse feita
          sabendo
     de quem se trata?
     as ideias que defende?
     os compromissos que banca?
     a verdade que sustenta?
     onde pode ser achado?
          (perguntado e demitido)
     e se tem palavra firme?

Uma ideia então convoca
     (anular a regra-logro
     e ocupar o que te cabe)
à construção do futuro

quinta-feira, 28 de junho de 2018

segunda-feira, 4 de junho de 2018

quinta-feira, 10 de maio de 2018

domingo, 8 de abril de 2018

domingo, 1 de abril de 2018

Papagaios!

Um papagaio pintado de branco
não se transforma numa garça.
Nem mesmo em pombo da paz.
Será sempre um papagaio
branco
enquanto a tinta durar
branco
enquanto houver me enganar
branco.
Muito branco.

domingo, 25 de março de 2018