Ouvir discurso esdrúxulo
e entender normal.
Obscuridade.
Em cem anos de segredo,
esconde-se o medo?
Nas faldas da covardia,
o que mais se encontraria?
(para Lorena)
Desde muito o passado
desde pouco a nossa história
e de repente uma nova linha do tempo
Experiências
que podíamos ter vivido juntos
A vivência
que nos deu sentidos
O encontro
que nos trouxe ao mesmo tempo
E as diferenças
que nos amadurecem
As linhas do tempo em tessitura
O olhar para trás e para o agora
é o que as linhas mostram
em primeiro plano
mas há entrelinhas
e muitos outros planos
em que se tece
a coberta para o frio
e em que se fia
as linhas que ainda serão
Quem não enxerga um brilho de esperança
ao desejar os frutos da mudança?
E quem conserva o afã da ingenuidade
entre as bandeiras vistas nas cidades?
Priorizar a força das finanças,
em meio à dor fatal desta matança,
é incontestável: falta humanidade.
É crime vil, perversa atrocidade.
A quem mantém a besta no poder,
uma pergunta simples quer saber:
vocês não têm vergonha disso não?
O que mais querem dar a esta nação?
Minha esperança insiste e ainda tem
um brilho breve e muito querer bem!
Antecedendo a mentira,
o dia do golpe vil.
A tortura ainda mira,
à sombra do céu de anil.
(hoje foram registradas mais de 3000 mortes em um dia,
por COVID-19, no Brasil)
Puta que pariu!
Sem norte, desgraça a morte
em todo o Brasil.